Cruzada Jaguar: Mais do Mesmo

Olá, retroamantes de retrojogos de uma retroépoca retrogloriosa! Vamos ver o que nossa cruzada nos reserva para o dia de hoje.

Fever Pitch Soccer

Eu nunca fui chegado a jogo de futebol, aliás eu não curto games de esporte em geral. Mas por causa das bagaças que ando jogando ultimamente, até que Fever Pitch Soccer não amarelou.

Aqui, os jogadores e o estilo geral lembram muito International Super Star Soccer de Super NES. Os gráficos estão decentes, e há cutscenes de boa qualidade, que geralmente aparecem quando se faz um gol, se toma um cartão ou quando se entra em campo. Por falar em campo, há uma grande variedade deles e dependendo do país em que o estádio se encontra, o gramado pode ser bem verdinho, como num país tropical igual ao Brasil, ou ser seco, como acontece num país frio como o Canadá.

Há 50 equipes e as opções de escolher táticas de jogo estão presentes. Há algo curioso: conforme você vai evoluindo no campeonato, alguns de seus jogadores, de acordo com o seu desempenho  em campo, adquirem um status de “estrela” do time. Na prática não sei se interfere em alguma coisa. Só há músicas enquanto uma partida começa, depois joga-se ouvindo o barulho da torcida somente. Os efeitos sonoros não estão lá essas coisas, mas passam.

A grande surpresa aqui é o gameplay. Fever Pitch Soccer é bastante rápido e dinâmico, os controles são simples e intuitivos e a dificuldade é boa. Pra quem gosta, é um bom jogo de futebol. 

Fight for Life

Na era 32 bits quando o Sega Saturn mostrava ao mundo Virtua Fighter e o Sony PSX apresentava Tekken, na rabiola, tentando pegar o vácuo, vinha a Atari, querendo mostrar ao mundo que o Jaguar também tinha jogos de lutas poligonais 3D.

Comparado a Virtua Fighter e Tekken, Fight For Life é uma piada de mau gosto. Os personagens são toscos, com a metade dos polígonos de Virtua por exemplo, mal texturizados e sem carisma. Os cenários de fundo lembram os papéis de parede do Windows 95 e os tatames são feios pra diabo. O som é sofrível e com três minutos de jogo você aperta o “mute” da TV.

Por falar em tempo, as lutas duram uma eternidade. Cada golpe desferido no oponente tira um mínimo de energia. Se você conseguir fazer uma sequência de golpes boa, talvez termine a luta em menos de 10 minutos. Os controles são tenebrosos. Este jogo é maçante, chato e quase fez com que eu tirasse minha vida!

Flashback

Mais um grande sucesso do MS-DOS que caiu de cabeça no console da Atari.

Se você esperava gráficos e sons parecidos com os do PC, pode esquecer. Pelo que eu joguei, parece que portaram a versão de Mega Drive para o Jaguar. Ok, o jogo é bom, tá decente, só que você esqueceu que quando você comprou o Jaguar, comprou um 64 bits? Para jogos deste nível, você com certeza ficaria no Mega Drive, né? E esta versão consegue ser pior que a de Mega, você acredita? Aqui o jogo está mais lento e às vezes depois de apertar o pause o jogo fica mudo. Pesquisei pra ver se era problema do emulador mas não era. Isso acontece no cartucho e no Jaguar originais!

Outro crime é o slowdown que aparece em certas partes do jogo, quando a tela fica cheia de inimigos e itens. O ponto positivo é que não tosaram nada. Tudo que tinha no cartucho do Mega está aí. O controle reponde bem, mas a lerdeza do jogo não ajuda. Não existe desculpa pro game ser o que é. Ele poderia ser melhor, muito melhor.

Flip Out

Este jogo de estratégia é algo tedioso. Chato, confuso, com um gameplay pra lá de ruim, foi apenas mais um de muitos jogos podres que a Atari já lançou.

O negócio aqui é arrumar as pedras para formar um padrão pré determinado. Feito isso, passa-se para o próximo quebra-cabeças. Não há muitas animações no jogo, tudo é praticamente estático. Há dois alienígenas que ficam assistindo você jogar. Os efeitos e as músicas são péssimos e nada a ver com um jogo de estratégia. Os controles são simples, pois aqui não há muito o que fazer, não precisa-se de agilidade. Ao contrário de jogos como Tetris, que requerem raciocínio rápido, aqui você tem a vida toda pra pensar. Flip Out é a verdadeira sopa rala.

Highlander

Este título mostra sem rodeios a enganação que era o Jaguar CD. Logo no início vemos uma animação em desenho animado de uma série de TV baseada no filme. Quando o jogo começa, o bagulho fica doido!

Pra começar, seu personagem é feio, tosco e totalmente ultra lowpoly! Apesar de na animação de entrada seu personagem ser loiro, no jogo seu cabelo é cor de rosa. As texturas são hediondas, o Jaguar leva uma eternidade pra processar os elementos na tela e por causa disso tudo aparece cortado, pela metade, os polígonos somem, você some, coisa de louco!

Parece também que só os inimigos te acertam, pois mesmo estando dentro deles (sim, aqui dois corpos ocupam o mesmo lugar no espaço) é só você que morre. A barra de energia parece ter sido retirada de algum jogo do Atari 7800. Os itens não servem para nada, a jogabilidade é pós-medíocre. Os efeitos sonoros são do nível de Telejogo. Música só durante as cinematics. Quem diria que o guerreiro imortal Cristopher Lambert viraria uma drag queen dos infernos nas mãos da Atari?

Hover Strike

Mais uma porcaria “made in Atari”. Hover Strike lembra Battlezone, também da Atari, lançado em 1980 para os arcades.

No Jaguar parece que há uma regra, os jogos tem que ser os piores possíveis! Em Hover Strike, seu veículo é lento de doer. As missões nada mais são que destruir inimigos e estruturas. Porém aqui eles estão muito longe uns dos outros, logo prepare-se para passear num grande espaço vazio. Os cenários são pobres, as cores são mortas, os objetos quando chegamos perto perdem totalmente a resolução tamanha deformidade e pixelização. A música é repetitiva, fraca e só ajuda a deixar o jogo pior. Idem para os efeitos sonoros. Os controles são cavernosos, seu tanque não te obedece, manter a mira é uma missão impossível. Jogue e chore!

Hover Strike: Unconquered Lands

Lançado seis meses após o Hover Strike em cartucho, Hover Strike: Unconquered Lands aterrissou no Jaguar CD para tentar melhorar as centenas de coisas que deixaram seu irmão mais velho em cartucho medonho.

A primeira coisa que assistimos é a um “briefing” no estilo Star Wars, copiado na cara dura mesmo. Há adições de FMV e as músicas e efeitos sonoros foram trocados por algo um pouco melhor. Os controles foram melhorados também e a mira agora está mais suave. Também há mais missões, porém o tedioso passeio entre um inimigo e outro ainda continua. Os gráficos estão um pouco melhores, com cores mais vivas e mais animações. Infelizmente a pixelização e a desformidade ainda estão presesntes. É melhor que a versão de cartucho? Com certeza. Vale a pena? Absolutamente não!

Hyper Force

Hyper Force é um jogo de plataforma que foi lançado no final da vida do Jaguar. Sendo todo 2D a um nível de 16 bits, lembra um pouquinho Bionic Commando da Capcom. Porém aqui não há nada de especial. É um jogo que não fede nem cheira.

Com gráficos medianos, som mediano e jogabilidade mediana, Hyper Force é mais um na multidão.  Apesar dos personagens grandes, durante o game você notará muitos glitchs e outros bugzinhos chatos, mas que não interferem no andar da carruagem. Aqui está uma boa opção pra quem curte mais do mesmo ou uma pipoca sem sal.

Bom, queridos leitores, até a próxima.

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About Piga "the ancient alien"

Gamer desde criancinha, teve tudo quanto é console e computadores antigos, dos mais populares aos mais obscuros. Pegou a doença do colecionismo, mas hoje está curado (em constante observação). Gosta de relembrar velhas histórias e compartilhar experiências. Sem "ismos", joga do mais antigo ao mais novo.